Resenha: World of Warcraft – A Ruptura

by luizcsilva on 26 de outubro de 2013

A Ruptura se passa antes dos acontecimentos de Marés da Guerra e, por esse motivo, recomendamos a leitura dos livros na seguinte ordem: A Ruptura, Marés da Guerra e Sombras da Horda, para um melhor entendimento da história no universo de World of Warcraft.

[Sinopse: A história se passa logo depois da guerra contra o Rei Lich. A guerra tem o seu custo, financeiro, físico e emocional, vidas foram perdidas e novos heróis surgiram. Mas a paz não é duradoura, O mundo esta rachando e os espíritos dos elementos estão inquietos. Em meio a isso Thrall, o Chefe Guerreiro da Horda, tem que tomar uma decisão que vai mudar não só sua vida mas a todos da Horda. Do outro lado do continente, as coisas também não estão boas assim. Anduin Wrynn, príncipe de Ventrobravo, tem que encontrar o seu lugar ao lado de seu pai, o qual gostaria que ele fosse um guerreiro. Ambos, Aliança e Horda, tem que enfrentar o pós-guerra e se prepararem para o que está por vir.]

Os acontecimento desse livro ocorrem no final da segunda expansão do WoW Wrath of the Lich King Patch 3.3 (Fall of the Lich King) e o inicio da terceira expansão do WoW Cataclysm Patch 4.0 (Cataclysm).

Essa obra é um dos primeiros livros que eu já li do cenário World of Warcraft que mais apresenta personagens ditas como principais, tanto do lado da Horda quanto da Aliança. É nesse volume que encontramos os seus heróis e vilões em ambos os lados. Por parte da Horda vemos o Thrall lidando com Garrosh Gritoinfernal, sua decisão de deixar ele como Chefe Guerreiro da Horda e sua busca do que assola Azeroth e os Elementos. Em meio a isso temos a briga de Garrosh com Cairne Cascosangrento sobre a sua posição como Chefe Guerreiro. Do lado da Aliança nos temos Varian Wrynn e seu filho Anduin, e sua decepção para inaptidão de seu filho para com a arte da guerra, já que ele esperava que o seu filho fosse um guerreiro como ele, e Anduin que tem outras ambições e duvidas na sua vida. Esses e muitos outros personagens vão aparecer e enriquecer ainda mais o livro, com duas histórias ocorrendo em paralelo tão distantes, e ao mesmo tão parecidas e interligas. Nada mais do que ter tantos personagens, tão bem trabalhados e explorados pela escritora.

Confira um trecho do Livro:

O som da chuva batendo nos pelegos esticados que cobriam a pequena cabana lembrava um tambor tocado por uma ágil mão. A cabana era bem-feita, como todas as cabanas órquicas; nenhuma gota escorria para dentro. Mas nada conseguiaexpulsar o frio úmido do ar. Se o tempo virasse, a chuva se tornaria neve; de qualquer forma, a umidade já irrompia nos velhos ossos de Drek’Thar, deixando seu corpo enrijecido mesmo durante o sono.
Mas dessa vez não era o frio que fazia com que o velho xamã se revirasse na cama.
Eram os sonhos.

Drek’Thar sempre tivera sonhos e visões proféticas. Era uma dádiva: a visão espiritual compensava a visão física que já não possuía. Mas, desde a Guerra Contra o Pesadelo, tal dádiva tornara-se perigosa. Seus
sonhos pioraram durante aquele horrível período, e o sono não mais prometia descanso e restauração das forças, mas terror. Eles o tinham envelhecido e transformaram-no, de um ancião ainda forte apesar da
idade, em um velho frágil e rabugento. Ele tinha esperado que, com a derrota do Pesadelo, seus sonhos voltariam ao normal. No entanto, embora a intensidade deles tivesse diminuído, ainda eram muito, muito
sombrios.
Nos sonhos, ele podia ver. E neles, ansiava pela cegueira. Estava sozinho em uma montanha. O Sol parecia mais próximoque o normal, feio e vermelho e inchado, emprestando um tom sangrento ao oceano que lambia o sopé da montanha. Ele podia ouvir algo… um ribombar distante e cavo que o enervava e fazia sua pele se arrepiar. Jamais ouvira algo assim, mas sua forte conexão com os elementos lhe dizia que o som
prenunciava alguma coisa terrivelmente errada.
Pouco depois, as águas começaram a se agitar, encrespando-se furiosamente à base da montanha. As ondas subiram, ávidas, como se algo sombrio e horrendo se agitasse sob a superfície das águas encapeladas.
Mesmo no topo, Drek’Thar sabia que não estava seguro, que nada estava seguro, não mais, e podia sentir a outrora sólida pedra se esfacelando sob os pés descalços. Seus dedos se curvaram, apertando o cajado dolorosamente, como se de alguma forma a arma retorcida fosse permanecer estável e protegê-lo frente a um oceano revolto eà montanha que desmoronava.
E então, sem aviso, aconteceu.
Uma fissura ziguezagueou pela terra sob o velho. Ela se abriu como se para devorá-lo, e, rugindo, ele se atirou para fora do caminho. Soltou o cajado, e a arma caiu no abismo que se alargava. O vento aumentou de intensidade, e Drek’Thar se segurou em uma protuberância de rocha; tremendo com a terra, olhou, com olhos que fazia muito já não viam, para o oceano fervente cor de sangue lá embaixo.
Enormes ondas se chocavam contra a face do penhasco, e Drek’Thar sentia os borrifos escaldantes quando subiam a uma altura impossível. De todos os lados vinham os gritos dos elementos, amedrontados, atormentados, clamando por ajuda. O ribombar aumentou de intensidade, e, diante do seu olhar aterrorizado, um trecho maciço de terra partiu a superfície do oceano vermelho, erguendo-se como se jamais fosse parar, tornando-se uma montanha, um continente, enquanto a terra sobre a qual Drek’Thar se postava rachava outravez, e ele caiu na fissura, gritando e agarrando-se ao nada, caindo no fogo…
Drek’Thar ergueu-se subitamente entre as peles que usava de cobertor, o corpo em convulsões e empapado de suor apesar do frio, as mãos agarrando o ar, os olhos, novamente cegos, arregalados e fixos nas trevas.

— A terra irá chorar, o mundo se partirá! — gritou. Algo sólido tocou as mãos trêmulas, envolvendo-as e acalmando-as. Ele conhecia aquele toque. Era Palkar, o orc que cuidava dele havia muitos anos.

— Pronto, pronto, Grande Pai Drek’Thar, foi só um sonho— disse o jovem orc.
Mas Drek’Thar não se deixaria convencer tão facilmente, não depois de ter testemunhado aquela visão. Lutara no vale Alterac não havia muito tempo, até ser considerado velho e fraco demais para a função. Se
já não podia servir lá, então serviria com suas habilidades xamânicas. Suas visões.
— Palkar, eu preciso falar com Thrall — exigiu. — Ecom a Harmonia Telúrica. Talvez outros tenham visto o que eu vi… e se não tiverem visto, preciso avisá-los! Palkar, eu preciso! — Tentou se erguer. Uma
das pernas cedeu sob seu peso. Frustrado, ele amaldiçoou seu corpo envelhecido.
— O que o senhor precisa é de sono, Grande Pai.Drek’Thar estava fraco e, não importa o quanto lutasse, não conseguia oferecer resistência para escapar das mãos firmes de Palkar, que o empurravam de volta à cama.
— Thrall… ele precisa saber — murmurou, batendo fracamente nos braços de Palkar.
— Se o senhor acha que é necessário, amanhã iremos e contaremos a ele. Mas agora… descanse.
Exaurido pelo sonho e sentindo novamente o frio em seus ossos envelhecidos, Drek’Thar assentiu e permitiu que o jovem lhe preparasse uma bebida quente, com ervas que o fariam dormir em paz. Palkar era um bom enfermeiro, pensou, sua mente já vagando outra vez. Se Palkar achava que amanhã era bom o suficiente, então devia ser. Depois de terminar de beber, recostou a cabeça e, antes que o sonoo envolvesse, se
perguntou: Bom o suficiente para quê?
Palkar se sentou e suspirou. Outrora, Drek’Thar tivera opensamento afiado feito adaga, mesmo que seu corpo estivesse enfraquecendo com o peso dos anos. Outrora, Palkar teria enviado imediatamente um mensageiro a Thrall ao saber da visão de Drek’Thar.
Só que não mais.
No último ano, a mente afiada que soubera tanto, que contivera sabedoria quase além da compreensão, começara a enfraquecer. A memória do xamã, outrora mais confiável que qualquer registro escrito, passara a nublar-se. Havia lacunas em suas lembranças.Palkar ponderava: Drek’Thar enfrentara a Guerra Contra o Pesadelo e tinha suportado a inevitável decadência da idade. Entre esses dois inimigos, será que suas “visões” não haviam se deteriorado em meros sonhos?
Há duas luas, Palkar lembrou-se com tristeza, ao se erguer para retornar à própria cama, Drek’Thar insistira para enviar mensageiros ao Vale Gris, pois um grupo de orcs estaria prestes a massacrar um grupo de taurens e druidas kaldorei pacíficos. Os mensageiros foram enviados e os avisos foram expedidos — mas nada acontecera. A única coisa que conseguiram ouvindo o velho orc foi tornar os elfos noturnos ainda
mais desconfiados. Os orcs estavam a quilômetros de distância dali. Mas Drek’Thar insistira que o perigo era real.
Tinha havido outras visões menos importantes, todas igualmente imaginárias. E agora isso. Certamente, se a ameaça fossereal, mais gente além de Drek’Thar saberia. Palkar não era um xamã inexperiente, e não tivera nenhum pressentimento sombrio.
Ainda assim, manteria a palavra. Se Drek’Thar queria ver Thrall, o orc que já fora treinado por ele e agora era o chefe guerreiro da própria
Horda que Drek’Thar ajudara a criar, Palkar prepararia seu mentor para a jornada pela manhã. Ou enviaria um mensageiro para que Thrall fosse até o velho. Seria uma jornada longa e difícil; Thrall estava em
Orgrimmar, a um continente de distância de Alterac,onde Drek’Thar insistira em estabelecer seu lar. Mas Palkar suspeitava que aquilo não aconteceria. Pela manhã, Drek’Thar sequer se lembraria que sonhara,
que dirá do próprio sonho.
Era o que acontecia comumente por aquela época. E Palkar não se alegrava com isso. A senilidade cada vez mais pronunciada de Drek’Thar feria o jovem e fazia com que ele desejasse um mundo diferente — mundo esse que Drek’Thar tinha certeza que estava prestes  a se partir. O velho orc não sabia que, para aqueles que o amavam, o mundo já estava partido.
Palkar sabia que era inútil lamentar o que se fora, o que o próprio Drek’Thar já fora um dia. De fato, a vida do velho fora mais longa que a maioria, e repleta de honra. Os orcs conheciam a adversidade e entendiam que havia um tempo de lutar e se enfurecer e um tempo para aceitar a realidade dos fatos. Desde pequeno cuidava de Drek’Thar, e jurara continuar a fazê-lo até o último suspiro do velho orc, não importa o quão doloroso fosse testemunhar o lento declínio do mentor.
Ele se inclinou, apagou a vela com os dedos e cobriu ocorpanzil com as peles. Do lado de fora, a chuva continuava a cair, batendo sua marcha contínua nos pelegos esticados.
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