Resenha World of Warcraft – Marés da Guerra

by luizcsilva on 26 de outubro de 2013

A renomada maga Jaina Proudmoore tem lutado muito para manter uma paz duradoura entre a Aliança e a Horda. Mas agora, com crescentes tensões ameaçando desencadear uma nova era de conflito, suas esperanças para a paz podem ser extintas para sempre…

Garrosh, obcecado em assegurar a supremacia da Horda sobre Kalimdor, lança um ataque total contra o lar de Jaina, a ilha de Theramore. Embora os valentes defensores da Aliança se apressem para repelir o ataque repentino, eles logo se vêem despreparados para o âmbito terrível de verdadeiros planos de Garrosh…

A destruição causada pelo ataque da Horda transforma Jaina, impulsionando a diplomata bondosa por um caminho de dor e vingança que irá alterar não só o destino dela – mas o destino de Azeroth em si.

Leia um trecho do livro logo abaixo:

Era quase a hora do crepúsculo, e os tons levemente cálidos da tarde se esvaíam em nuances mais frias de azul e púrpura. O ar estava salpicado de flocos rodopiantes e afiados de neve, que circulavam alto sobre Gelarra. Outras criaturas tremeriam e protegeriam os olhos, afofariam o pelo ou as penas, ou se embrulhariam melhor nos mantos. O grande dragão azul, cujas asas batiam num ritmo lento, não se incomodava com coisas como neve ou frio. Ele tinha alçado voo em busca do toque gélido e cristalino daquele vento frio na esperança, talvez fútil, de que assim conseguisse limpar os pensamentos e acalmar o espírito.

Kalecgos, mesmo sendo jovem do ponto de vista dos dragões, testemunhara mudanças tremendas ocorridas ao seu povo. Os dragões azuis já tinham sobrevivido a tantos percalços, assim lhe parecia. Tinham perdido duas vezes o amado Aspecto Malygos; primeiro para a insanidade, que durou milênios, e então, finalmente, para a morte. Era irônico e comovente que os azuis, os intelectuais e guardiões da magia arcana no mundo de Azeroth, fossem a Revoada mais afeita à ordem e à calma e, portanto, os dragões menos capazes de lidar com tanto caos.

Porém, mesmo em meio a todo o tumulto, seus corações tinham permanecido leais. O espírito da Revoada Dragônica Azul não tinha escolhido o caminho linha-dura representado por Arygos, o falecido herdeiro de sangue de Malygos, preferindo a trilha mais gentil e alegre que lhes foi oferecida por Kalecgos. E essa escolha provou ser a decisão correta. Na realidade, Arygos planejava trair a Revoada. O herdeiro prometera entregar todo o seu povo ao maligno e incrivelmente insano Asa da Morte, assim que eles lhe jurassem fidelidade. Só que os azuis acabaram se unindo aos vermelhos, verdes e bronzes, e também a um orc muito extraordinário, na luta para derrotar o monstro.

Mas, mesmo enquanto planava naquele céu cada vez mais escuro, sobrevoando a neve que ganhava cor de lavanda, Kalecgos sabia que, com aquela vitória, as Revoadas tinham também se sacrificado, de certo modo. Não havia mais Aspectos, mesmo que os dragões que antes haviam assumido essa função ainda estivessem vivos. A derrota de Asa da Morte tinha exigido tudo deles e, ao final daquela batalha, as habilidades dos Aspectos foram exauridas quando Alexstrasza, Ysera, Nozdormu e Kalecgos despejaram todo o poder que tinham naquele momento crucial do conflito. Os Aspectos tinham sido criados para executar aquele único ato. Com esse objetivo cumprido, a missão de suas vidas tinha chegado ao fim.

Havia um efeito menos direto, também. As Revoadas sempre viveram seguras dos papéis que desempenhavam, tinham uma firme compreensão do próprio propósito. Entretanto, agora que o momento para o qual elas haviam sido criadas tinha chegado e passado, o que lhes restava? Muitos azuis já haviam partido. Alguns buscaram a bênção de Kalecgos antes de deixar o Nexus, pois ele continuava sendo o seu líder, mesmo despido dos poderes de um Aspecto. Disseram a ele que se sentiam inquietos e que queriam descobrir se ainda haveria algum outro lugar no mundo onde suas habilidades seriam apreciadas. O resto tinha simplesmente ido embora; estavam lá um dia, ausentes no outro. Aqueles que permaneceram ficavam cada vez mais agitados, ou se rendiam a um estado abúlico de espírito.

Kalecgos mergulhou e fez uma curva, deixando o ar frio acariciar-lhe as escamas. Em seguida, abriu as asas e pegou impulso numa corrente ascendente, com pensamentos novamente sombrios e infelizes.

Por muito tempo, mesmo durante a loucura de Malygos, os azuis tiveram um norte. A questão do que deveria ser feito agora tinha sido pensada e, às vezes, sussurrada. Kalecgos não conseguia deixar de se questionar se não teria fracassado para com a Revoada. Será que as coisas realmente haviam sido melhores sob a liderança de um Aspecto insano? A resposta óbvia era não, porém… Porém.

Kalecgos fechou os olhos, não pela neve cortante, mas por causa da dor no coração.

Os corações deles acreditaram na minha liderança. Eu acreditava, então, que os liderava bem, mas… E agora? Onde se encaixariam os dragões azuis, ou dragões de qualquer outra Revoada, num mundo no qual a Hora do Crepúsculo tinha sido evitada, mas no qual resta apenas uma noite sem fim para nosso povo?

Ele se sentia absolutamente só. Tinha sempre considerado a si mesmo como sendo provavelmente a escolha mais estranha de todas para liderar a Revoada Dragônica Azul, já que ele jamais se sentira um “típico” dragão azul. Enquanto voava, desanimado e cada vez mais preocupado, Kalecgos percebeu que havia pelo menos uma pessoa capaz de compreendê-lo melhor que qualquer outra. O dragão guinou para a direita e bateu as asas, voltando ao Nexus.

Kalec sabia onde poderia encontrá-la.

Kirygosa, filha de Malygos, irmã de ninhada de Arygos, encontrava-se na sua forma humana, sentada numa das mágicas e luminosas plataformas flutuantes que circundavam o Nexus. Ela estava apenas com um vestido comprido e largo, os cabelos negros azulados soltos e recostada numa das árvores brancas e reluzentes que brotavam em algumas das plataformas. Acima, dragões azuis circulavam como já faziam por séculos, patrulhando sem cessar, mesmo que aparentemente não existissem mais ameaças, não mais. Kirygosa parecia ignorá-los, com um olhar solto e perdido. A dragonesa parecia estar imersa em pensamentos, mas Kalecgos não saberia dizer o que ocuparia a mente dela.

Mesmo assim, ela o acompanhou com o olhar enquanto ele se aproximava, e sorriu de leve ao perceber que ele não era mais um dos guardiões do lar da Revoada. O dragão pousou na plataforma e assumiu sua forma de meio-elfo. O sorriso de Kiry se alargou e ela estendeu a mão. Kalec a beijou afetuosamente e se posicionou ao lado da dragonesa, esticando as longas pernas e unindo as mãos atrás da cabeça, num esforço para parecer casual.

— Kalec — saudou ela calorosamente. — O que o traz ao meu poleiro de ponderações?

— É isso que isso aqui é?

— Pelo menos para mim. O Nexus é o meu lar, por isso não gosto de me afastar muito, mas é meio difícil ficar sozinha lá dentro. — Kiry se virou para Kalec. — Então eu venho aqui e pondero. Bem como você parece estar interessado em fazer.

Kalec suspirou, percebendo que sua tentativa de parecer despreocupado não tinha enganado aquela amiga perceptiva que ele considerava como irmã.

— Eu estava voando — comentou ele.

— Você não pode voar para longe dos seus deveres ou pensamentos — respondeu Kirygosa delicadamente, estendendo a mão para apertar o braço do amigo. — Você é o nosso líder, Kalec. E nos guiou bem. Arygos teria destruído a Revoada, e o mundo inteiro em seguida.

Kalec franziu o cenho, lembrando a terrível visão que Ysera, outrora a Aspecto Dragônico Verde, tinha compartilhado com ele não havia tanto tempo. Seria a Hora do Crepúsculo, uma Azeroth completamente despida de qualquer forma de vida. Desde a grama e os insetos até os orcs, elfos e humanos, desde todas as criaturas do ar, do mar e da terra até os pró-prios Aspectos, que tinham sido assassinados pelos seus poderes únicos.

Asa da Morte também morrera então, com o resto de Azeroth, empalado como um troféu grotesco no pináculo do Templo do Repouso das Serpes. Kalecgos estremeceu, ainda perturbado pela lembrança da voz melodiosa, porém sofrida, de Ysera enquanto ela narrava a visão.

— Ele teria feito tais coisas — admitiu Kalec, concordando apenas parcialmente.

Os olhos azuis dela buscaram os dele.

— Kalec, querido, você sempre foi… diferente.

O bom humor foi atiçado em Kalecgos apesar dos sentimentos sombrios predominantes, e ele fez uma careta boba, torcendo as belas feições meio-élficas. Kirygosa riu.

— Viu?

— Ser diferente nem sempre é bom — retrucou ele.

— Mas é isso que você é, e foi por causa das suas diferenças que a

Revoada o escolheu.

O bom humor desmoronou e ele a fitou, sombrio.

— Porém, minha querida Kirygosa — argumentou ele, entristecido —, você acha que a Revoada me escolheria novamente, neste momento?

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