Baine Casco Sangrento: Como Nossos Pais Parte 2

by luizcsilva on 19 de julho de 2018

Pondo a mão no queixo, Baine disse sem rodeios:

— Garrosh é o líder da Horda; arrogante ou não, nós juramos lealdade a essa mesma Horda, que é mais do que seus líderes. É um conceito perene e unificado que meu pai e Thrall ajudaram a delinear. Se tiver chance, esses problemas serão superados e a Horda vencerá tanto de seus inimigos quanto das disputas internas. Isso eu posso prometer.

— Se você diz, Grande Chefe. — Baine acenou abruptamente e seguiu de volta para o Penhasco do Trovão. Casco Cinzento disse ao grupo: — Vamos voltar à Aldeia Narache e nos preparar para a viagem. Vai levar um tempo até que estejamos prontos para partir.

Dias depois, Hamuul voltou a Baine com um orc grande e imponente. O orc curvou-se longamente e disse:

— Eu sou Swart, do Monte Navalha, Grande Chefe. Fico muito honrado de finalmente conhecê-lo.

Baine respondeu ao cumprimento e disse:

— Também fico honrado. Hamuul me falou de você, e qualquer amigo dele é muito bem-vindo ao Penhasco do Trovão. A que devo esta visita?

Hamuul tomou a palavra:

— Trazemos boas novas. Você queria um fim pacífico para nosso conflito com os javatuscos. Não foi fácil, mas achamos que temos uma solução.

Baine sorriu.

— Ah, que notícia maravilhosa. Meu pai sempre estava assoberbado com outros assuntos para dedicar atenção aos javatuscos, embora suspeitasse que poderia negociar com eles. Por favor, prossiga.

Hamuul continuou:

— Ficamos todo esse tempo em profunda meditação e acreditamos que finalmente descobrimos a fonte da inquietação. Swart?

Swart pigarreou:

— Entre os javatuscos, há indivíduos chamados Busca-águas, especialistas em achar água que, devido à atual perturbação da terra, parecem ter perdido o jeito. Desesperados por água, eles estão avançando mais agressivamente no terreno, mas recuam à segurança de suas matas à noite. Para nós, a solução é simples: encontrar para eles uma fonte local de água. De algum modo. — disse, olhando para Hamuul.

Hamuul sorriu:

— E é aí que eu entro…

Baine e Hamuul esperavam na antecâmara de Garrosh, chicoteando a cauda com irritação. Garrosh não se apressava para ninguém, nem mesmo líderes. Quando ele chegou, Baine foi direto ao ponto, algo que raramente fazia. — Chefe Guerreiro, temos informações cruciais para o futuro dos carregamentos de água. Achamos que é necessário discuti-las com você.

— Os ataques se tornaram mais audaciosos nas últimas semanas, mas acreditamos ter encontrado a fonte do problema e da contaminação nos carregamentos de água. Os javatuscos são uma ameaça que assombra nosso povo por anos, mas nunca quiseram mais do que expandir o território, algo que podem fazer facilmente no subsolo. Parece que agora, com a terra atormentada, eles precisam de água também.

Um jovem emissário tauren entrou correndo na câmara, interrompendo Baine. — Grande Chefe! Minhas desculpas, mas fui enviado para informar que outro ataque foi descoberto. Os integrantes da caravana foram mortos; a água e o equipamento foram roubados!

Baine assentiu.

— Obrigado pelo relatório. Volte ao Penhasco do Trovão e informe a Ruk Pisa Guerra que chegarei em breve para cuidar da situação.

Assim que o mensageiro saiu, Garrosh começou a andar pela sala.

— Este é o terceiro incidente só na semana passada. Sabemos quem são os responsáveis, mas nenhuma punição foi aplicada, e esses javatuscos ainda debocham de vocês atacando as fronteiras. Minha confiança está se esgotando.

Baine ergueu a mão. — Garrosh, o que você não entende é que isso é assunto do território dos taurens e, como tal, será resolvido por nosso povo. Eu vou cuidar disso. Neste exato momento, estamos buscando orientação da Mãe Terra.

Agitando os braços aleatoriamente, Garrosh gritou:

— Mãe Terra! Mãe Terra! Só ouço o tempo todo essa mesma ladainha. O que é essa tal Mãe Terra afinal?

— É a criadora do nosso povo e a voz da sabedoria da terra que nos orienta…

— Vocês estão usando a Mãe Terra como muleta. — interpelou Garrosh. — Só enrolam e debatem, mas não tomam nenhuma atitude! Esses javatuscos querem é uma demonstração de força, e é isso que a Horda vai dar…

Baine tomou fôlego e continuou calmamente:

— Garrosh, peço gentilmente que você respeite nossos costumes e métodos. Esse problema será resolvido em breve, sem derramamento de sangue. Há mais em jogo do que parece. Esses ataques cheiram a desespero. Uma solução para o problema deles resolverá o nosso também.

Enquanto Garrosh o fitava, Baine concluiu:

— Entendo seu desejo de expulsá-los, mas os javatuscos são mais determinados do que você imagina. Um ataque direto terá consequências, e meu povo sofrerá com elas.

— Na hora que eles atacaram nossa fonte de água fresca, virou problema da Horda. Todos sofremos juntos, e sua demora nos causa prejuízo dia a dia. Não vou ficar parado enquanto vocês deixam que a força e a vontade da Horda seja motivo de deboche. Essa agressão terá resposta… e logo. — Com isso, Garrosh marchou para fora da sala e sumiu de vista.

Hamuul observou a saída de Garrosh e bufou:

— Nem sequer escuta. Típico. E o que ele acha que pode fazer a respeito disso?

Baine ergueu Britamedo. A cabeça prateada da maça, com seus aros de ouro e suas runas, tinha um brilho ofuscante. Ele acenou com a cabeça e partiu para o zepelim que esperava:

— Temo que Garrosh possa estar subestimando o inimigo que vai enfrentar. Quando voltarmos ao Penhasco do Trovão, convoque os Andarilhos do Sol. Ele pode precisar de nossa ajuda, quer queira, quer não.

Naquela noite, enquanto o Penhasco do Trovão dormia, Baine andava pela sua tenda. Sua insistência em achar uma solução pacífica levou a mais caravanas atacadas e a um ataque em larga escala à sua terra que poderia ter arriscado a vida do Chefe Guerreiro. Quando Hamuul entrou, Baine parou sua reflexão e disse com pesar:

— Não tenho mais certeza de que este seja o curso certo. Talvez os Ermo Errante estejam corretos. A Horda não era assim quando meu pai era o grande chefe. — Fez uma pausa. — Antes minha dúvida era se eu conseguiria liderar nosso povo. Agora me pergunto se devo liderá-lo.

Hamuul respondeu com um discreto trovejar na voz:

— Não é hora para duvidar de si, jovem Baine. Você está indo tão bem quanto seu pai. Estou certo de que a sabedoria que você demonstra e a paixão que você coloca nisto para que dê certo teriam a aprovação dele. — Ele fez um gesto largo com mão, dizendo: — E aqueles que não veem isso devem mesmo ir embora e tomar outro rumo.

— Lembro que, pouco tempo atrás, você tinha a mesma opinião que eles. — disse Baine, sorrindo com o canto da boca.

O tom de Hamuul ficou nitidamente mais sério:

— Falei sem refletir, por frustração. Sou o primeiro a dizer que errei. Vamos resolver isso, e você verá que é um líder. Mesmo que ainda não saiba.

Enquanto isso, Garrosh preparava os Kor’kron para invadir a Ravina da Lâmina Espinhenta. Havia quinze de pé à sua frente, todos com olhos vacilantes, mas cintilando com uma maliciosa empolgação pela batalha iminente.

— Esses taurens levam até um kodo na conversa, mas não tomam uma atitude quando a própria terra está sendo invadida! — bradou Garrosh. — Vamos mostrar a eles o que guerreiros de verdade fazem. O alvo são os covis dos javatuscos ao sul de Mulgore. O ataque começa antes do sol raiar. Estejam prontos!

Os guerreiros o saudaram e foram se preparar. Garrosh voltou a sentar no trono com Uivo Sangrento no colo. Ele os levaria à vitória, e o machado de seu pai voltaria a entoar o canto de glória na batalha. Os dentes de Garrosh surgiram sob um sorriso de satisfação.

Os Kor’kron eram uma elite: eram letais e contavam com a vantagem da surpresa. Os escuros zepelins cortaram os ares em silêncio nas primeiras horas da madrugada, parando perto da área dos javatuscos. Com Garrosh à frente, os guerreiros desceram por cordas, caindo praticamente na cabeça dos javatuscos. Lâminas faiscaram num turbilhão de ataques. Dez javatuscos quedaram mortos, deixando escapar apenas um guincho, que atraiu os que guardavam a entrada da toca. Esses também, atônitos, pereceram sob a enxurrada de machados e espadas. À medida que os zepelins se afastavam para uma posição mais segura, os Kor’kron avançavam pelos túneis despachando rápida e eficientemente qualquer resistência que encontravam.

A batalha foi curta, mas intensa. Os javatuscos defenderam sua terra natal com uma ferocidade que surpreendeu até a Garrosh. Acostumados à luta em túneis apertados, eles usavam até as presas se preciso e atacavam com ardor insensato. Eles não tinham medo de morrer lutando pela sua terra. Garrosh ria para si mesmo enquanto os javatuscos caíam aos seus pés. Hoje ele os ensinaria a ter medo.

Minutos depois, o grupo chegou à câmara principal. Garrosh sempre à frente, triunfante e com Uivo Sangrento erguido, pronto para desferir um golpe. Acenou com a cabeça, orgulhoso: o chão estava coberto de corpos, e o único som era a respiração arquejante dos guerreiros. Eles fuçaram aqui e acolá procurando pistas e decidindo por qual dos inúmeros túneis seguir. Em instantes, ouvindo ruídos atrás, viraram lentamente na expectativa de acabar com os poucos sobreviventes.

Mas não eram uns poucos. Os túneis vomitavam um número incontável de feras. Os recém-chegados pararam por um momento ante a visão do chão coberto por dezenas de corpos de sua estirpe. Garrosh vociferou:

— Hoje vocês pagarão. Hoje vocês testemunharão a ira da Horda!

Ao sinal de Garrosh, os Kor’kron lançaram uma chuva de machados contra a aglomeração, arrancando grunhidos que ecoaram pela caverna. Mas os javatuscos ainda não atacaram. Outra saraivada de machados caiu sobre eles, mas ainda assim nenhum avançou.

— O que é isso!? — berrou Garrosh. — Renderam-se assim tão fácil? Não terei misericórdia para com vocês. Serão destroçados aí mesmo onde estão!

A multidão aglomerada à frente dele levantou as armas num gesto único e grunhiu alto em uníssono. Enquanto se viravam para todos os lados, os Kor’kron viram a caverna ser inundada por centenas de feras que apareciam subitamente dos túneis no chão e dos buracos no teto.

— Corram para o flanco esquerdo! Avancem! — gritou Garrosh. — Não deixem que eles fechem nossa saída para a superfície! — Os guerreiros caíram sobre os javatuscos, mantendo a saída às suas costas. Quase não se via o Uivo Sangrento enquanto golpeava velozmente os agressores. Eles morriam, soltando grunhidos agudos, mas vinham outras feras para substituir os mortos.

— Avante! — ecoou o brado de comando, e os guerreiros avançaram com ainda mais força contra os grunhidos ensurdecedores dos javatuscos, que por sua vez os repeliam sem hesitar. Lampejos de cores iluminaram o rosto contorcido dos Kor’kron enquanto os xamãs lançavam feitiços sobre eles. Rugidos trovejavam e ecoavam pela caverna toda vez que eles eram atingidos. Garrosh percebeu, com certa desesperança, que cada lampejo revelava que seu grupo de guerreiros estava cada vez menor. Derrotados, eles deixaram cair suas tochas, que rapidamente foram apagadas. Garrosh rugiu e lutou com ainda mais fúria e vigor renovados. Ele era o Grito Infernal e não seria vencido por feras patéticas. Ele ia tirá-los dessa situação.

Ele brandiu Uivo Sangrento cada vez mais rápido, até que o ar se encheu com o som exótico do movimento do machado. O uivo reverberou pelos túneis e teve como resposta os guinchos de mais feras. Enquanto Garrosh avançava, javatuscos voavam para todos os lados ou eram retalhados pelo machado, mas havia um número infinito deles. Não davam trégua, não recuavam. Garrosh entrou mais fundo na caverna até que nem mesmo a luz da superfície podia alcançá-lo. Ele estava só, cercado pela escuridão e por uma onda sem fim de javatuscos que guinchavam horrendamente. Eles começaram a arrancar a armadura dele, arranhando e mordendo a carne exposta, empurrando-o ainda mais para dentro do túnel.

Não havia mais nada a fazer: a única possibilidade era ir na direção para onde empurravam, mais para o fundo. Ele sentia o hálito quente e ouvia os grunhidos de empolgação. Ele começou a voltar, tateando em busca do caminho à superfície, mas encontrou apenas um túnel curto que terminava abruptamente. Uivo Sangrento ficou preso numa fresta lateral, e ele ficou de costas para o fundo do túnel.

Com um rugido grave, Garrosh se lançou sobre a maré de pelos e espadas. Ele desviou a lança de um atacante para enterrá-la na cabeça de outro. Ao fazer isso, a tocha que o bicho estava segurando, última fonte de luz, caiu e se apagou. Tudo ficou escuro. Mais e mais vieram e, embora estivesse sozinho, perdido na escuridão, Garrosh só pararia quando estivessem todos mortos. Seus braços começaram a doer e sua respiração ficou entrecortada, mas ainda assim ele avançava, usando qualquer arma que caísse em suas mãos. Para cada fera que caía morta, outra rapidamente ocupava seu lugar.

Lentamente, ele começou a ser subjugado e cada vez mais ataques dos javatuscos o atingiam. Ele conseguia ver uma luz muito tênue que permeava a escuridão, mas estava mais preocupado com o combate. A luz foi ficando mais brilhante, e muitos agressores pararam. Ele ouviu um tumulto bem longe no túnel principal. De repente, uma luz impossivelmente brilhante estava inundando tudo com seus raios, e a fonte da luz estava se aproximando. Os javatuscos em redor dele gritaram de ódio e fugiram para o lugar de onde vieram. Mesmo ofuscado, Garrosh conseguia ver as feras voando para os lados como se não passassem de bonecos de papel.

A luz ficou ainda mais brilhante e chegou perto da curva onde ele estava se defendendo. Logo ele viu Baine ladeado por Hamuul Runa Totem e mais um grupo de Andarilhos do Sol. Baine gritou para dentro do túnel:

— Aguentem firme, irmãos! Não temam a escuridão! — enquanto Britamedo brilhava em sua mão, mais luminosa do que a luz que emanava dos próprios Andarilhos do Sol. Enquanto as feras caíam uma apos a outra ante a maça enânica, Baine se perguntou por um momento se Anduin Wrynn aprovaria que seu presente fosse usado desse modo. Até que, em massa, os javatuscos recuaram mais para dentro da toca escura e protegida.

Baine correu para o Chefe Guerreiro. — Garrosh, pegue sua arma e vamos. Temos que sair daqui antes que eles deem a volta e nos cerquem. — disse, colocando Garrosh de pé e o ajudando a tirar a arma que estava presa na parede do túnel. — Depressa!

Rapidamente, eles partiram na direção da superfície. A não ser pelos corpos espalhados no chão, não havia obstáculos no caminho. Baine estava contando com a sorte e esperava que tivessem espantado completamente os javatuscos quando passaram por uma caverna relativamente grande. Chegando do outro lado, Hamuul pediu para parar. Ele ajoelhou-se e começou a balbuciar, buscando o caminho correto da saída. Na hora que ele se levantou e andou para a saída, as paredes eclodiram. O grupo se virou, pronto para enfrentar um novo ataque, mas parou subitamente ao ver os atacantes.

Garrosh gritou mais alto que o alarido:

— O que é aquilo?

Baine deu um cauteloso passo para trás.

— Quem me dera saber, Chefe Guerreiro…

Javatuscos bem maiores que o normal e extraordinariamente pálidos começaram a cercar os combatentes ali reunidos. Quando se moviam, emitiam sons tão bizarramente agudos com a boca que feriam o ouvido. O corpo deles era branco acinzentado e tinha cerdas espinhosas de um verde-escuro grotesco, além dos grandes olhos protuberantes. Eles eram bem mais altos que qualquer outro javatusco que os taurens (ou qualquer outra raça) já tinham visto, e a malícia esperta nos olhos deles indicava que eram bem mais hábeis do que seus semelhantes, que haviam sido massacrados por Baine, Hamuul e os Andarilhos do Sol.

Baine pediu a seus Andarilhos do Sol que ficassem parados. Os dois lados se encaravam. O único caminho era ir para trás. O ar foi ficando pesado e exalava um odor asqueroso de terra à medida que as feras preenchiam cada espaço da caverna. Mas não houve ataque. Era como se eles estivessem avaliando os invasores, planejando qual seria o próximo passo.

Garrosh brandiu seu machado e gritou:

— Feras fantasmagóricas! Vamos acabar com isso agora!

Baine gritou para Garrosh:

— Chefe Guerreiro, precisamos chegar a céu aberto! Estaremos perdidos se ficarmos aqui! — Com um gesto de Hamuul, pequenas vinhas brotaram do chão, perfazendo um caminho pelo labirinto de túneis até a saída. — Sigam depressa! — ordenou Baine.

Arrastando Garrosh, que rugia, Baine, Hamuul e os Andarilhos correram para a superfície, chegando à saída logo que o feitiço de Hamuul acabou. Agora eles tinham margem para manobra. Enquanto Garrosh cuidava da saída do túnel, Baine pegou o sinalizador goblínico do cinto de Garrosh e o disparou para cima. Os zepelins começaram a vir para o local, mas não foram rápidos o suficiente. As feras abomináveis chegaram à superfície, protegendo os olhos da luz matinal.

Baine avançou para elas logo que saíram, e elas estacaram, cientes de que estavam fora de seu elemento. Ele virou-se para Hamuul quando o arquidruida fez um gesto e gritou para a multidão à sua frente:

— Há uma solução melhor, que todos vocês ignoraram. Contemplem as bênçãos da Mãe Terra! — Dizendo isso, Hamuul deu um passo à frente e, com um grito, cravou seu cajado no chão.

Irromperam muitas águas de uma copiosa fonte à sua frente, que envolveram quase todos os javatuscos albinos e avançaram como um trovão, varrendo-os de volta para o túnel. Aqueles que ficaram foram derrubados pela explosão, junto com um humilhado Garrosh. Os taurens continuaram firmes e imóveis, ancorados à terra que tanto reverenciam.

Um novo rio correu a partir do ponto onde Hamuul colocou seu cajado, trilhando sobre as pedras e entrando no túnel para as profundezas da terra. Quando os javatuscos levantaram-se novamente, Baine deu outro passo na direção deles. — A terra é generosa para com todos aqueles que a respeitam. Agora há água para todos. Vocês verão que esse rio achou seu rumo, passando pelos túneis, até um lago subterrâneo. Aceitem essa dádiva e não nos perturbem mais.

Os javatuscos lentamente voltaram ao túnel enquanto a luz tocava as colinas que cercam Mulgore. A aurora era muito importante para os taurens, já que simboliza o renascimento, mas hoje aumentou ainda mais respeito deles pela Mãe Terra e suas dádivas. Eles passaram pelos corpos dos javatuscos que pereceram no primeiro ataque e seguiram para a Aldeia Narache. Garrosh caminhava em silêncio, furioso demais para falar. Observando os movimentos rígidos de Garrosh, Baine percebeu que essa reação não o surpreendia.

O primeiro zepelim finalmente chegou ao local e lançou uma escada de cordas até o chão. Baine olhou para a aeronave e depois para os Andarilhos do Sol que estavam ali. Seu olhar caiu sobre Garrosh por alguns momentos antes de ele acenar para a aeronave e dizer:

— Vá liderar a Horda. Se precisarmos de sua ajuda em Mulgore de novo, nós avisaremos. — Com isso, virou as costas para o Chefe Guerreiro, que continuou calado, e pegou o caminho de volta ao Penhasco do Trovão, com os Andarilhos em seu encalço.

A noite começou a cair em Mulgore, lançando longas sombras na terra. Fogueiras pontilharam platôs e planícies à medida que os taurens se acomodavam. Hoje eles dormiriam tranquilos, sabendo que sua terra estava segura novamente. À porta da tenda de Baine, Casco Cinzento e mais alguns dos Ermo Errante hesitavam. Por fim, ele disse:

— Fortaleçam seu espírito. Temos que fazer isso.

Seguido dos membros de sua tribo, ele entrou na sala principal, onde Baine tentava descansar e perguntou em tom baixo:

— Grande Chefe, podemos tomar um minuto de seu tempo?

Baine se levantou com um sorriso cansado.

— Certamente. O que posso fazer por vocês?

O tauren ancião baixou a cabeça e disse:

— A despeito de suas palavras, nosso coração ainda estava aflito. Preparamo-nos para a jornada e, nas primeiras horas da manhã, partimos. Testemunhamos seu triunfo sobre os javatuscos, foi realmente inspirador. Você tem a força de um líder e confia em uma sabedoria que fomos cegos demais para ver. Temos vergonha de admitir que quisemos deixar esta terra e humildemente pedimos seu perdão, Grande Chefe.

Baine fez um gesto com a mão, demonstrando ter compreendido.

— Vivemos em tempos incertos e turbulentos. É fácil perdoar seus corações aflitos. Esses javatuscos não mais irão nos incomodar em Mulgore, mas isso não significa que não temos problemas. Estamos sendo ameaçados por problemas internos e externos, mas somente juntos poderemos superá-los.

Baine foi à entrada da tenda e ficou olhando para fora um bom tempo. Via o Penhasco do Trovão se preparando para a noite, com suas fogueiras esparsas ao longe. Dava para ver a silhueta pouco distinta da Aldeia Narache, onde jovens e valentes taurens terminavam seu treinamento. Logo eles seriam necessários para as provações por vir, provações que testariam ainda mais a fé e o estoicismo de seu povo.

Baine assentiu com a cabeça e voltou sua atenção para o pequeno grupo à sua frente:

— Nosso povo andou nestas terras por muitos e muitos anos e aprendeu muito sobre o mundo nesse tempo. Nossos aliados nos procurarão buscando sabedoria e orientação. Certa vez, meu pai fez uma promessa à Horda para pagar uma dívida que lhe devíamos por seus serviços à nossa raça. Eu, pelo menos, pretendo cumprir essa promessa.

Fonte: https://worldofwarcraft.com/pt-br/story/short-story/leader-story/baine-bloodhoof

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