Sylvana Correventos: Fim da Noite Parte 1

by luizcsilva on 25 de dezembro de 2018

Coroa de Gelo

Sylvana Correventos flutua num mar de alívio, e todas as sensações físicas são substituídas por emoção pura. Ela consegue tocar o êxtase, ver o júbilo, ouvir a paz. Aquilo era a vida após a morte, seu destino. O mar eterno onde Sylvana se viu após perecer defendendo Luaprata. Ela pertence àquele lugar. Com cada recordação, a lembrança deste lugar se enfraquece. O som se distancia, o calor arrefece. A visão empalidece como um sonho quase esquecido. Mas com uma clareza terrível, a lembrança sempre termina do mesmo jeito: o espírito de Sylvana é arrancado de lá. A dor é tão intensa que rasga-lhe para sempre a alma. O rosto sorridente de Arthas Menethil, com seu sorriso enviesado e olhos sem vida, a encara maliciosamente. Arthas a puxa de volta ao mundo. Desonra-a. O riso dele, aquele riso vazio, a lembrança disso faz com que ela se arrepie!

– Seu filho da mãe! – Sylvana berra, chutando para o lado um pedaço quebrado da armadura do Lich Rei. Sua voz, vazia e apavorante, falhou sob a força do ódio. O som ecoou por entre os picos da Coroa de Gelo, rufando pelos vales como as brumas pesadas que para sempre assombram aquele lugar terrível.

Ela se aventurou até ali, sozinha, ao antigo centro do poder dele. Chegou ao alto da Cidadela da Coroa de Gelo, onde um trono congelado avulta em um platô de neve branca. É claro que aquele garotinho egocêntrico que ela conheceu se colocaria aqui, sentado no topo do mundo. Mas onde estava ele agora? Destroçado. Sylvana não sentia mais a malevolência dele incomodando-a. A armadura quebrada jaz despedaçada diante do trono, rodeada de pedaços enegrecidos de sangue congelado, os restos daqueles que o haviam derrotado finalmente.

Sylvana lamentou não ter presenciado a destruição dele. Apanhou uma manopla quebrada, a armadura da mão que um dia empunhou a Gélido Lamento. Ele está finalmente morto. Mas por que ela se sentia tão vazia por dentro? Por que ela ainda pulsava de raiva? Arremessou a manopla para longe e a observou desaparecer nas brumas turvas.

Ela não estava só. Nove espíritos luzentes cercavam o pináculo, os rostos mascarados virados para ela, as formas efêmeras suspensas no ar por asas graciosas e incorpóreas. Eram as Val’kyren, antigas donzelas guerreiras que um dia foram escravas da vontade de Arthas. Por que elas permaneciam ali? Sylvana não sabia, tampouco se importava. As criaturas não a atrapalhavam, permaneciam absolutamente mudas e imóveis, mesmo quando ela gritava e se enraivecia. Será que elas a observavam? A julgavam? Sylvana as ignorou e caminhou pela neve até o trono de Arthas.

Outra pessoa estava sentada no trono.

Inicialmente, Sylvana tratar-se do cadáver de Arthas, plantado zombeteiramente naquele lugar de honra e lacrado num bloco de gelo, mas a silhueta era completamente diferente. Ela se aproximou do trono e passou a mão pela superfície do gelo, observando a figura lá dentro. Humano, sim. Reconheceu o contorno da armadura da Aliança. Mas o cadáver estava bastante queimado, aberto como uma peça de carne assada. Ele usava a coroa de Arthas, e aqueles olhos, aquela centelha de consciência…

“Eles o substituíram!”. Um novo Lich Rei ocupava o trono!

Mais uma vez, Sylvana gritou, a surpresa transformando-se em raiva explosiva. Golpeou o gelo com a palma da mão, depois com o punho. O gelo rachou. O rosto imóvel lá dentro se abriu atrás de uma teia de fraturas. Os uivos dela morreram, desaparecendo de forma vazia nas brumas que envolviam o monte. “Eles o substituíram. Isso significa que sempre haverá um Lich Rei? Idiotas.” Acreditavam ingenuamente que aquele rei fantoche não começaria a corromper o mundo para atender aos próprios caprichos. Ou pior: tornar-se uma arma cega para algo ainda mais terrível.

Era um golpe cruel. Ela havia esperado chegar aqui triunfante, e não encontrar outra derrota. A vitória era vazia. Mas Sylvana se afastou do trono, se aprumou e aceitou que o ciclo iria continuar. Arthas estava morto. De que importava se outro cadáver ocupava o trono? Sylvana Correventos havia se vingado. A visão que motivara a ela e seu povo durante anos tinha finalmente se realizado. E nem uma única fibra de seu corpo ressequido e revivido se importava para onde o mundo iria daqui em diante.

Agora, estava tudo acabado. Uma parte dela estava surpresa por ainda estar de pé, mesmo sem a presença constante dele invadindo-lhe a mente. Afastou-se do trono e lentamente se virou para avaliar aquele mundo cinza e frio à volta. Seus pensamentos voltaram-se para aquele lugar arrebatador, o vislumbre vago do que a aguardava. O lar. Estava na hora.

Lentamente, Sylvana caminhou até a beira serrilhada da plataforma de gelo. Lá embaixo, encoberta pelas nuvens, estava a floresta de aguilhões de saronita que ela havia visto mais cedo. A queda não seria o bastante para matá-la: sua carne revivida era praticamente indestrutível. Mas os aguilhões, o sangue endurecido de um Deus Antigo, além de dilacerarem o corpo, também destruiriam sua alma. Ela ansiava por isso. Um retorno à paz. O trabalho que ela havia iniciado nas florestas de Luaprata estava finalmente concluído com a morte de Arthas.

Sylvana tirou o arco do ombro e o jogou de lado. A arma ressoou ao chocar-se contra o gelo. Em seguida, retirou a aljava, derramando flechas que cascatearam pela lateral da Cidadela da Coroa de Gelo e desapareceram uma a uma na neblina. A aljava vazia caiu silenciosamente no chão junto aos pés da patrulheira sombria.

O manto escuro e esfarrapado, agora solto aos ventos pela ausência do armamento, começou a chicotear o pescoço de Sylvana. Ela não sentia frio, apenas uma dor entorpecida. Em breve, sentiria nada. Já antecipava o espírito chegando a um refúgio de tranquilidade pela primeira vez em quase uma década. Sylvana deslocou o peso em direção à beira do abismo e fechou os olhos.

Como se fossem uma, as Val’kyren se viraram na direção de Sylvana em silêncio.

Guilnéas

– Em fren… – gritou o marechal, cujas ordens foram interrompidas por uma bala de mosquete que estraçalhou-lhe o maxilar. A muralha à frente dele estava em pedaços, mas ainda era abrigo para atiradores, escondidos pela chuva. O temporal despencava do céu em torrentes, ensopando tanto os atacantes quanto os defensores. O marechal caiu no lamaçal, despencando pela montanha de escombros como se fosse um saco de carvão. Assim como as carroças carniceiras e os demolidores atolados de sua artilharia, as tropas dele não avançavam. Nenhum homem normal teria sobrevivido ao disparo, mas como o marechal já estava morto, ele rapidamente se arrastou para fora da lama, cuspindo linfa e sangue coagulado dos restos do rosto.

Ao norte, do outro lado de um campo cultivado e de uma leve cortina de chuva, Garrosh Grito Infernal tentava entender o que estava acontecendo na linha de frente. Ele conseguia vislumbrar a silhueta cinza da grande muralha guilneana, repleta de fendas diagonais provocadas pelo Cataclismo. Se seus Kor’kron estivessem na linha de frente, já a teriam atravessado. Garrosh grunhiu ao ver um grupo de batedores Renegados se arrastarem pela lama, voltando esfarrapados e derrotados. Na vitória, os Renegados já pareciam cadáveres; na derrota, a aparência deles era ainda pior.

– Seus batedores são inúteis. Eu os enviei para acossar as defesas da muralha, e eles rastejam de volta como cães surrados – bufou Garrosh, sem ao menos olhar o interlocutor. O grande orc de pele marrom estava vestido com seu uniforme de batalha mais ameaçador, e os braços tatuados e cheios de veias pareciam explodir debaixo do guarda-ombros cheio de garras. Embora estivesse bem em frente da própria tenda, o guerreiro se recusava a entrar para se proteger da chuva, que gotejava sobre a carranca e o queixo enegrecido.

Ao lado do grande orc e abrigado sob a tenda, Lindolfo parecia frágil. O rosto esburacado do mestre-boticário se retraiu sob a cabeleira cinza e desgrenhada enquanto ele tentava formular uma resposta que não lhe renderia mais uma sucessão de impropérios do chefe guerreiro: – Eu lhe garanto que eles estão ferindo tanto quanto são feridos – disse em tom comedido, com a voz áspera e fraca. – É quase certo que as defesas guilneanas estejam desorganizadas.

– Então, por que seus batedores estão mancando de volta, ao invés de avançarem? – perguntou o Chefe Guerreiro, chutando um barril para o lado. Logo atrás, as tropas de Garrosh aguentavam a chuva: quatro companhias de orcs e taurens, soldados de elite escolhidos a dedo, com o apoio dos cinco batalhões dos mais durões de Orgrimmar. As forças se estendiam pelos campos de Pinhaprata, um mar de rostos verdes e marrons contra uma cortina de fundo de estandartes vermelhos. – E onde estão os regimentos prometidos por Lordaeron? Eles precisam invadir pela abertura. Estamos perdendo tempo.

Lindolfo sabia bem que não deveria discutir táticas com o teimoso chefe guerreiro, mas estava desesperado com a aproximação da hora do ataque. Passou a língua roxa pelos lábios pálidos e tentou responder casualmente, esperando trazer à tona a razão: – Sem dúvida, a chuva os atrasou, mas já devem estar chegando. Eles são… com certeza… os melhores de Lordaeron. O coração da nossa infantaria e a espinha dorsal de todo o nosso esforço…

Garrosh alisou o lado do rosto com os nós dos dedos. Olhou para o terreno e mentalmente posicionou a infantaria e cavalaria que chegariam, enquanto Lindolfo falava.

– Mas você não pode simplesmente mandá-los para a abertura central da muralha – ponderou Lindolfo. – É um… um gargalo. O lugar está fortificado e é muito vigiado. Nem mesmo tropas fortemente armadas a cavalo conseguiriam manobrar ali: os homens seriam chacinados pelos disparos dos mosqueteiros escondidos nos escombros. Certamente, você entende…

– É claro que entendo! – interrompeu Garrosh. – A porta foi arrombada; agora, é preciso derrubá-la. A sua espécie serve para isso. – Naquele momento, o Chefe Guerreiro fitava diretamente o mestre-boticário, com os olhos fixos na luz amarelada e pálida que preenchia as órbitas oculares do morto-vivo. – Vocês já são cadáveres, quase impossíveis de matar. Vão invadir em massa a abertura e abrir caminho para o resto da Horda passar, pronta para matar. Mesmo que tenhamos de passar sobre uma ponte de corpos despedaçados. É assim que as fortificações são rompidas. Que as guerras são vencidas.

O mestre-boticário levantou dois dedos ossudos e argumentou: – Mas e se usássemos apenas um… apenas um toque da peste. Só para abrir um espaço. Nem mesmo o bastante para fazer algum… Apenas um pouquinho! Mais para causar medo e pânico do que…

A mão de Garrosh rasgou o céu, lançando um jato de água da chuva na tenda ao atingir em cheio a face de Lindolfo. O mestre-boticário cambaleou como se tivesse levado um coice, mas, contando apenas com a força de vontade, conseguiu continuar de pé após o golpe.

– Se está sugerindo usar mesmo que uma gota daquela imundície que você tem escondida, eu taco fogo em você e naquela sua cidade-esgoto! – Garrosh grunhiu e virou-se para a batalha.

Humilhado, o mestre-boticário Lindolfo murmurou um quase inaudível “sim, chefe guerreiro” por entre dentes. Mas, secretamente, alimentou a raiva. “Onde estará a Dama Sombria, Sylvana?”

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Lindolfo se perguntou, voltando os olhos vazados em direção ao céu cinzento. “Por que ela não está aqui para se opor a essa fera?”

Coroa de Gelo

Sylvana titubeou na beirada do pico da Coroa de Gelo, ainda com os olhos fechados. Ergueu os braços. Embora o vento fosse de um frio cortante, só sentiu a mais entorpecida das dores.

Percebeu uma presença próxima e abriu os olhos. As Val’kyren haviam se aproximado dela, perto o suficiente para que conseguisse ver as armas cintilando contra as coxas fantasmagóricas. O que elas queriam?

Sem nenhum aviso, uma visão preencheu sua mente. Uma lembrança. Ela estava num quarto quente, banhado pelo sol. Feixes dourados de luz derramavam-se pela janela, iluminando partículas de pó e projetando desenhos no chão. Era o quarto dela. Há uma eternidade. Ela ainda não havia completado vinte primaveras, mas mesmo assim a jovem Sylvana era a caçadora mais promissora da família. Calçou as botas de couro que iam até a coxa, cuidadosamente medindo os cadarços e amarrando-os com esmero. Ajustou o bordado com desenhos de folhas, depois saltou da cama para admirar seu reflexo no espelho. O cabelo louro caía até a cintura como água, completamente translúcido sob a luz do sol. Olhou alegremente para o espelho, brincando com o cabelo até ele cair atrás de suas orelhas delgadas da maneira perfeita. Não bastava ser a melhor caçadora da família. Ela precisava tirar o fôlego de todos ao sair. Era tão vaidosa!

Essa lembrança estranha e longínqua retirou Sylvana da beira do abismo. O que havia motivado a recordação?Aquela vida estava perdida para sempre.

Outra lembrança inundou-lhe os sentidos. Desta vez, ela estava agachada atrás de um afloramento de pedras na Floresta do Canto Eterno. A folhagem do outono farfalhou sobre Sylvana, mascarando o som dos passos do companheiro enquanto ele corria para se esconder ao lado dela. – São tantos! – ele gritou, mas se calou quando ela levantou o dedo, e continuou quase num sussurro. – Nós só temos duas dúzias de patrulheiros lá. Eles não conseguirão sobreviver àquilo!

Sylvana não desviou o olhar da massa escura de cadáveres cambaleantes que se moviam com dificuldade para o rio. Era o auge da Terceira Guerra, a poucas horas da tomada de Luaprata pelo exército de Arthas. – Os patrulheiros só precisam retardar o exército enquanto fortificamos a defesa da Nascente do Sol – ela respondeu em um tom comedido.

– Eles vão morrer!

– São como flechas na aljava. Precisam ser usados para que possamos vencer – afirmou Sylvana.

“Ela era impetuosa. Vazia? Não, uma lutadora. Ela tinha o coração de uma guerreira.”

Tão repentina quanto a última, uma terceira lembrança surgiu. – Legítimos herdeiros de Lordaeron! – Sylvana bradou, levantando o arco bem alto. Seu antebraço, ainda esbelto e musculoso, tinha agora um tom cinza azulado. Morto. A cena agora era muito diferente. Esta visão tinha o brilho frio de uma lembrança vivida após a morte. Diante dela havia uma massa de cadáveres grotescos, com armaduras em pedaços, corpos fragmentados, fedor inimaginável. Aqueles olhares desesperados e melancólicos subitamente a fizeram lembrar de crianças. Eles a enojavam, mas a carência deles a fortalecia. – O Lich Rei hesita. A determinação de vocês lhes pertence. Vocês serão párias na própria terra? Ou aceitarão a crueldade que o destino nos reservou e retomarão nosso lugar neste mundo?

As perguntas dela foram recebidas com murmúrios, que logo se tornaram uma aclamação quase desesperada. Punhos esqueléticos se ergueram em direção ao céu. Aquelas pobres pessoas – camponeses, fazendeiros, sacerdotes, guerreiros, lordes e nobres – elas ainda não compreendiam realmente o que lhes acontecera. Mas alguém, qualquer um, garantir a eles que pertenciam a algum lugar era eletrizante. – Nós somos abandonados. Nós somos… renegados. Mas quando o sol raiar amanhã, a capital será nossa – declarou. E, então, todos urraram.

– Mas e os humanos? – um jovem alquimista perguntou quando o barulho diminuiu. Sylvana o reconheceu da luta da noite anterior. Uma inteligência fria brilhou da órbita ocular daquele morto-vivo. . Seu nome era Lindolfo. Ele já havia aceitado a própria condição, e se referia aos humanos como se fossem outra raça. Sylvana então percebeu que ele lhe seria útil.

– Os humanos servirão ao propósito deles – ela respondeu, já planejando. – Acreditam que eles estão liberando a cidade. Deixem que lutem a nosso favor e se consumam em nosso benefício. Eles são… – Sylvana topou com uma analogia que já havia usado – flechas na nossa aljava.

A massa de mortos-vivos bateu palmas e tossiu e engasgou alegremente em aprovação. Sylvana observou a multidão friamente. “E vocês também são”, ela pensou consigo mesma, “flechas que eu vou apontar para o coração de Arthas”.

“Ainda o coração de uma guerreira? Ela tinha se tornado fria. Não, era a mesma. Tanto em morte quanto em vida.”

Sylvana balançou a cabeça, clareando os pensamentos. As lembranças eram dela, mas não era ela que as estava recordando. As lembranças estavam sendo tiradas dela. Puxadas pelas Val’kyren. Os espíritos mudos pairavam em torno, observando-a em silêncio. “Elas estão me sondando!”, Sylvana deu-se conta, “me julgando!”

A guerreira inspirou ar gelado e seus olhos ganharam vida abruptamente. – Eu não serei julgada! – gritou, dando as costas para o precipício para encarar suas acusadoras. – Nem por vocês. Nem por ninguém!

A fúria brotou dentro dela. Será que o lamento da banshee funcionaria contra essas… coisas? Mas ela não precisava lutar. Estava farta de tudo. – Para trás! E fiquem fora da minha cabeça! – ordenou.

Sylvana deu um passo para trás, o vento chicoteando o cabelo e agitando o manto puído. As lembranças de quem havia sido e no que tinha se tornado formaram-lhe um nó no estômago, e agora ela iria desfazê-lo. Não mais seria a líder vingativa de uma raça mestiça de cadáveres pútridos. O trabalho dela estava terminado, e sua recompensa tardia a esperava. Ansiando por aquele êxtase de esquecimento, deixou-se cair de costas do alto da Cidadela da Coroa de Gelo. O vento se precipitou por ela, num pranto crescente. O pináculo e as silenciosas Val’kyren no topo desapareceram…

O corpo se despedaçou contra as pedras de saronita de forma esmagadoramente definitiva.

Parte 2

Por: Dave Kosak
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