À Procura do Poder: A Viagem de Arthas a Nortúndria
A paisagem gelada de Nortúndria se estendia como um deserto de gelo, vasto e traiçoeiro. Naquele cenário inóspito, Arthas Menethil chegou com a determinação gravada em seu coração. A missão era clara: encontrar e derrotar o demônio Mal’Ganis, o arquiteto da devastação que assolava seu reino. O vento cortante e gélido parecia sussurrar segredos antigos enquanto Arthas e suas tropas avançavam, desafiando os elementos e os terrores que espreitavam nas sombras da tundra.
Nortúndria, embora aparentemente desolada, abrigava segredos enterrados sob o gelo milenar. Entre as poucas almas que habitavam aquela terra hostil, havia um grupo de anões em busca de riqueza e conhecimento. Porém, seus desejos foram manipulados por forças obscuras, direcionando-os para algo muito mais perigoso do que poderiam imaginar: uma espada lendária, que emanava um poder além da compreensão mortal. Suas mentes, enredadas pelas promessas sussurradas pelos demônios, tornaram-se instrumentos de uma trama sinistra.
Uma Aliança Inesperada: Arthas e Muradin
Durante sua marcha, Arthas cruzou caminhos com Muradin Barbabronze, um anão conhecedor das tundras selvagens de Nortúndria e antigo mentor de tempos passados. Muradin, curioso e cauteloso, ouviu rumores sobre a lâmina mítica conhecida como Frostmourne. Sua experiência dizia que artefatos de tal poder vinham sempre acompanhados de grandes perigos, mas a necessidade desesperada de Arthas ofuscou qualquer advertência. Com um propósito renovado, a dupla formou uma aliança temporária, decidida a rastrear a espada e utilizá-la contra Mal’Ganis.
A jornada era árdua, mas as dificuldades apenas alimentavam a determinação de Arthas, cuja mente estava fixada na visão de uma vitória final. Muradin, embora motivado por um desejo mais acadêmico de descobrir a verdade por trás da espada, não podia ignorar os sentimentos turbulentos do jovem príncipe. A figura de Arthas era uma tempestade de emoções: uma fusão de esperança e desespero, uma dança em um fio de navalha entre redenção e ruína.
Os Segredos da Caverna: Encontro com a Destinação
Finalmente, após uma busca incansável, Arthas e Muradin encontraram uma caverna escondida, selada pelo gelo implacável. Dentro dela, o ar pesado anunciava a presença de Frostmourne, repousando em um pedestal de gelo como uma promessa silenciosa de poder absoluto. O ambiente ao redor da lâmina parecia vibrar com energia, um prenúncio do destino que ambos os homens estavam prestes a enfrentar.
Em um momento fatídico, à medida que se aproximavam da espada, um bloco de gelo desprendeu-se, atingindo Muradin com uma força brutal. Arthas, tomado pelo frenesi da missão à sua frente, acreditou que o anão havia sucumbido ao infortúnio. Sem hesitar, avançou em direção à Frostmourne, a necessidade premente de derrotar Mal’Ganis transformando-se na única verdade em seu mundo dissoluto.
Entretanto, Muradin não estava perdido. Gravemente ferido e sem recordar sua própria identidade, ele foi deixado para trás, enquanto Arthas, agora portador de uma espada carregada com um destino terrível, partia para enfrentar seu inimigo. Muradin foi encontrado por anões que habitavam Nortúndria, seu nome e história esquecidos nas névoas da amnésia, mas sua sobrevivência provando que mesmo nas gélidas sombras, poderia haver um facho de esperança.
Assim, nessa primeira parte da história, a busca de Arthas pela Frostmourne marca o início de uma transformação fundamental, onde suas intenções heroicas se enredam com poderes além de seu controle. Os ventos de Nortúndria sussurram avisos, mas para o príncipe segurando sua nova arma, a batalha contra Mal’Ganis era apenas o próximo passo no caminho que já estava trilhado.

A Escolha da Sombra: Arthas e Frostmourne
Com Frostmourne em mãos, Arthas sentiu uma onda de poder percorrer seu corpo, como se a própria essência da lâmina se fundisse com a sua alma. O vento gelado de Nortúndria parecia aplaudir sua decisão, enquanto a espada sussurrava promessas de força e vitória. Arthas acreditava que sua escolha era nobre, que o sacrifício de sua própria moral seria justificado pela derrota de Mal’Ganis. Porém, essa convicção era como vidro, às vezes reluzente, mas frágil sob a pressão crescente da realidade.
Arthas enfrentou Mal’Ganis com um fervor quase fanático, empunhando Frostmourne como uma extensão de sua vontade resoluta. A batalha foi intensa, preenchida com o clangor de aço contra aço e o brilho de energias arcanas se entrechocando no ar. Arthas saiu vitorioso, mas não sem pagar um preço. Mal’Ganis, em seus momentos finais, sussurrou palavras que penetraram as defesas do príncipe, deixando uma marca invisível em sua mente: a verdadeira guerra estava apenas começando, e Arthas tinha se tornado peão de uma força mais sinistra.
Transformações Internas: O Renascimento de Arthas
Após a derrota de Mal’Ganis, Arthas acreditava que seu objetivo havia sido alcançado, mas algo dentro dele começava a mudar. A vitória não trouxe a paz esperada; ao contrário, deixou um vazio que Frostmourne preenchia lentamente com suas influências corrosivas. A espada, inicialmente manifestação do poder que tanto ansiavava, revelou-se uma corrente a prendê-lo às trevas, cada sussurro da lâmina corroendo o que restava de sua antiga identidade.
Enquanto perambulava pelas vastidões geladas, Arthas se tornava cada vez mais um reflexo da própria Nortúndria: frio, implacável e intransigente. Sua humanidade, outrora bússola de suas ações, começava a desaparecer como gelo ao sol, revelando o fervor de intenções desenfreadas. A transformação não era evidente apenas fisicamente, mas em cada decisão tomada sob a influência insidiosa de Frostmourne, que prometia salvá-lo enquanto o conduzia sutilmente para a beira do abismo.
Revelações Gélidas: O Encontro com o Destino
Enquanto Arthas caminhava em sua jornada transformadora, em paralelo, Muradin lutava pela sobrevivência nas terras implacáveis de Nortúndria. Despojado de suas memórias, encontrou refúgio entre os anões, que, ao contrário de seus algozes mentais, eram verdadeiros em seu acolhimento. A identidade e o propósito, embora perdidos nas névoas da mente, eram substituídos por uma nova vida dentro da comunidade de Nortúndria.
Arthas e Muradin, agora separados por circunstâncias e escolhas, eram o epitáfio de um destino outrora entrelaçado. Enquanto Muradin encontrava um novo caminho entre a fraternidade dos anões, Arthas marchava inexoravelmente em direção ao destino que finalmente o definiria. As montanhas de Nortúndria testemunhavam os desenrolares de dois destinos, cada um pintado em paletas de escolha e circunstância, contemplando a ironia sublime do herói e do desmemoriado.
Ao retornar a Lordaeron, Arthas ignorava a extensão de sua mudança, mas os ecos de seus atos seguiriam-no como uma sombra. Frostmourne, fiel e perversa, era agora parte indissociável de seu ser, uma extensão de suas intenções e de seu novo propósito, cujas verdadeiras ramificações só começariam a emergir quando retornasse ao lar. Assim terminava a segunda fase da jornada de Arthas, sua figura em metamorfose como um reflexo distorcido de heroísmo e tragédia.
Nessa parte da história, Arthas abraçou tanto o poder quanto a sombra que veio com ele, marcando o inicio da ruína não apenas de suas ambições pessoais, mas das fundações de tudo que amava. Um destino moldado por decisões que, uma vez virtuosas, agora profetizavam uma queda que a própria terra gelada de Nortúndria contemplava com silenciosa permissão.

O Retorno Sombrio: Arthas em Lordaeron
Arthas voltou a Lordaeron como um rei em potencial, mas o manto de glória esperado estava manchado pelas sombras que ele trazia consigo. Aclamado no início, a realidade da mudança tornou-se evidente à medida que seu semblante outrora vibrante parecia agora assombrado por segredos indecifráveis. Frostmourne, a espada que prometia salvar seu povo, estava, na verdade, transformando o príncipe em algo que ele mal reconhecia.
O reino, ignorante dos horrores internos devastando Arthas, preparou-se para saudar seu herói. No entanto, no lugar da empolgação, havia agora um silêncio pesado, como o prenúncio de uma tempestade inevitável. A busca inicial por redenção e vitória havia se transformado em uma espiral de destruição interna e externa. A Frostmourne, carregada de trevas e sussurros eternos, era o catalisador da ruína iminente; uma metáfora inescapável para a tragédia que se desenrolava no coração de Lordaeron.
Escuridão Consuma: A Queda Completa de Arthas
Em um ato que selaria seu destino, Arthas, guiado pela manipulação invisível da espada, cometeu o impensável: a execução de seu próprio pai, o rei Terenas Menethil. A sala do trono, um espaço que deveria ecoar a justiça e a liderança, tornou-se um palco de traição e tragédia. O som da espada atravessando a armadura do rei foi como um trovão que silenciou qualquer esperança remanescente, destroçando o que restava da sanidade de Arthas.
Com este ato, Arthas selou suas intenções distorcidas, a esperança de um salvador transformada em um vilão consumado pela própria escuridão que pretendia combater. Lordaeron, uma vez um símbolo de esperança e resistência, caía agora sob o controle de forças das trevas, não pela mão de um inimigo externo, mas por um de seus próprios filhos. Arthas caminhava entre os escombros de sua antiga casa, um fantasma do herói que um dia aspirou ser.
O Novo Lich Rei: Conclusão de uma Jornada ao Abismo
Após consolidar seu poder em Lordaeron, Arthas foi atraído de volta a Nortúndria, levado pela conexão indissolúvel com Frostmourne e os sussurros incessantes da espada. Lá, ele encontrou o Trono Gelado, onde seu destino final o aguardava. Ao fundir-se com a armadura que encontrou, Arthas sacrificou o que restava de sua humanidade, emergindo como o novo Lich Rei. Ele agora governava sobre os mortos, seu coração pulsando em sintonia com o frio impiedoso de Nortúndria.
O círculo estava completo. O príncipe que buscava proteger seu reino tornara-se a maior ameaça à sua existência. Seus passos, outrora movidos pela esperançosa retidão, agora seguiam o caminho da destruição inevitável. A jornada que começou com uma promessa de poder e salvação, findava-se na solitude do Trono Gelado, onde silêncio e trevas eram seus únicos companheiros.
Com a ascensão de Arthas como o Lich Rei, a tragédia de sua história tornava-se uma fábula sombria de como o poder absoluto e a cegueira às próprias falhas podem levar à corrupção total. O jovem príncipe tornou-se um conto precavido, narrado nos ventos congelantes de Nortúndria, como uma lembrança de que o verdadeiro inimigo muitas vezes habita dentro de nós mesmos.
Enquanto Arthas se sentava em seu gélido trono, o eco de suas ações reverberava através do tempo e do espaço, uma marca indelével na história do mundo. Esse era o destino que ele havia escolhido—ou o destino que havia escolhido a ele—, uma conclusão tão fria e inevitável quanto o gelo eterno que o envolvia.


