A Ascensão da Sombra: O Aviso de Medivh
As terras de Azeroth viviam um período inquietante, embora houvesse uma calma aparente após as Guerras Orcs. Era um tempo de recuperação, onde reinos humanos tentavam reconstruir suas forças e suas nações devastadas pelas batalhas passadas. Entretanto, um perigo invisível, muito mais insidioso do que qualquer força que eles já tinham enfrentado, começava a se formar nas sombras. Medivh, o Último Guardião, um indivíduo de poderes incomensuráveis e uma história marcada pela corrupção demoníaca, encontrava-se em um estado de redenção. Liberado das influências manipuladoras de Sargeras, ele buscava agora alertar Azeroth sobre uma nova ameaça que se aproximava: uma praga capaz de obliterar civilizações inteiras.
Medivh, ciente de que não tinha muito tempo antes que suas palavras fossem necessárias, escolheu abordar dois dos mais influentes líderes na esfera humana: o Rei Terenas Menethil II de Lordaeron e o Arquimago Antonidas, de Dalaran. Lordaeron era uma das maiores e mais poderosas nações humanas do norte, enquanto Dalaran servia como o ponto focal do estudo arcano e mágico naquele continente. Um aviso vindo de Medivh deveria ter ecoado fortemente em ambos os ouvidos, mas a reação que se seguiu mostrou-se diversa. Medivh era conhecido por muitos, tanto como inimigo quanto como aliado, e a lembrança de suas traições passadas pesava ainda na memória dos que governavam.
O Aviso Invisível: A Reação dos Governantes
Ao tomar conhecimento da admoestação de Medivh, o Rei Terenas Menethil II optou por encarar o aviso com ceticismo. Para ele, a ameaça mais imediata era a recuperação da Horda, que, embora derrotada, ainda representava uma preocupação significativa devido à sua destrutividade previamente comprovada. A presença orc, em sua visão, era palpável e demandava atenção prioritária. Os ecos das batalhas contra o chefe orc Blackhand e seus seguidores ainda ressoavam nos salões de Lordaeron. Relembrar dessas lutas era o suficiente para qualquer rei prudente manter seus olhos sobre possíveis retaliações dessa horda, agora enfraquecida, mas não erradicada.
Por outro lado, Antonidas, uma mente sempre aberta e ávida por desvendar os mistérios que o mundo mágico guardava, reagiu de forma mais cautelosa e contemplativa. Sendo um arquimago de Dalaran, possuía um entendimento profundo das correntes arcanas que permeavam o tecido do mundo. Qualquer dissonância nessa melodia poderia sinalizar um perigo real. Embora não tivesse certeza absoluta sobre a veracidade das palavras de Medivh, ele reconhecia que desprezar o alerta poderia ter consequências desastrosas. Encarregou, portanto, sua pupila mais habilidosa, Jaina Proudmoore, de investigar as suspeitas de Medivh. Jaina, uma jovem prodígio com um dom exemplar para a magia, tinha também uma preocupação latente com o destino das nações humanas.
O Legado da Incerteza: As Decisões de Hoje, As Batalhas de Amanhã
A decisão de Antonidas de mandar Jaina investigar provou-se ser uma das mais sábias tomadas por um líder durante aqueles tempos de tensão crescente. Embora muitos mages e estudiosos da época considerassem sua intuição irracional, Antonidas compreendia que a experiência de Medivh como Guardião não podia ser simplesmente ignorada. Jaina, conjurando coragem e determinação, se preparou para sua jornada, a qual prometia mudanças indeléveis tanto em sua vida quanto na história de Azeroth.
Enquanto isso, dentro dos muros imperiais de Lordaeron, o rei Terenas se concentrava em fortalecer suas defesas contra possíveis ameças orcs ressurgentes. A segurança da nação era sua prioridade incontestável, e Medivh acabou sendo apenas uma faísca rapidamente apagada por um temporal de preocupações imediatas. No entanto, a sombra sinistra da praga não poderia ser mantida à distância para sempre. E assim, entre decisões estratégicas e preparações mágica, Azeroth marchava inexoravelmente em direção a um destino que apenas uns poucos podiam começar a imaginar.

A Busca de Jaina e o Véu da Destruição
Iniciando sua missão com determinação, Jaina Proudmoore partiu de Dalaran, completamente ciente do peso que carregava em seus ombros jovens mas resolutos. Suas habilidades mágicas eram um trunfo precioso, e Antonidas sabia que sua pupila não apenas era capaz, mas também profundamente comprometida com o bem-estar de Azeroth. Viajando por vilarejos e cidades, Jaina atestou a normalidade superficial da vida cotidiana, uma calmaria que mascarava o temor crescente que Medivh tentara alertar.
Durante sua jornada, Jaina não estava sozinha; ela foi acompanhada por uma comitiva de guardas leais e alguns estudiosos de Dalaran, ansiosos para compreender qualquer indício relacionado à praga iminente. Em cada parada, Jaina procurava sinais da maldição profetizada. Converseu com aldeões, estudou o comportamento dos habitantes locais e, ocasionalmente, realizou diligentes investigações mágicas, emitindo feitiços que poderiam detectar perturbações arcanas. Apesar dos esforços, a ameaça permanecia uma neblina distante, sem qualquer evidência concreta.
Contudo, ao se aproximar das terras de Lordaeron, ela percebeu um aumento sutil mas inquietante de uma energia sinistra. As nuances eram difíceis de distinguir, mas para um mago prodígio como Jaina, era suficiente para intensificar suas suspeitas já presentes. Enquanto lidava com essas descobertas estranhas, ela lembrou das palavras de Medivh e da seriedade em seu aviso. A primeira guerra ainda estava fresca na memória de muitos, e o bum de destruição poderia ser ouvido em fantasmas do passado.
Foi em uma dessas vilas nortistas que Jaina encontrou o príncipe Arthas Menethil, filho do Rei Terenas, que estava em uma missão própria para investigar as mudanças estranhas já percebidas por ele e suas tropas através de rumores urgentes. Arthas, embora jovem e impetuoso, era um guerreiro comprometido com a proteção de seu reino, com um desejo inabalável de honrar a confiança de seu pai. Reconhecendo a seriedade da situação através do olhar de Jaina, o príncipe decidiu unir forças com ela para desvendar o que realmente estava se manifestando em suas terras.
Com Arthas ao seu lado, Jaina foi além das simples especulações, e juntos, eles começaram a descascar os mistérios asfixiantes da praga emergente. Vila após vila, cidade após cidade, a verdadeira face da corrupção se tornou clara. Os relatos de cidadãos adoecidos e transformados em mortos-vivos aumentavam. O pânico estava à beira de uma erupção, à medida que a suposta doença mostrava ser uma ameaça muito mais grave do que era inicialmente compreendido. Aquela não era apenas uma epidemia comum; ela trazia consigo a promessa de destruição total.
A jornada culminou na cidade infestada de Stratholme, onde a sombra da praga adquiriu sua forma mais aterradora. Indo contra o pavor crescente, Jaina e Arthas encontraram a cidade já perdida, suas ruas lotadas de cidadãos convertidos em mortos-vivos febris, escravos de uma fome inesgotável de almas vivas. Ali, a decisão mais sombria teve que ser feita, e Arthas escolheu purificar a cidade queimando-a até o alicerce, na esperança de erradicar a praga antes que ela se espalhasse irreparavelmente.
Conclusão: O Legado de um Aviso Negligenciado
O esforço de Jaina e a trágica escolha de Arthas apenas atrasaram o inevitável. A praga se espalhou através de Lordaeron e de vastas partes de Azeroth. A catástrofe lançou as bases para uma série de eventos que mudariam o mundo para sempre: a queda de Lordaeron, a ascensão do próprio Arthas como o Cavaleiro da Morte do Lich King, e uma guerra de terror entre vivos e mortos. As palavras de Medivh soavam agora como uma advertência funesta, um lamento pela oportunidade perdida de preparar as defesas contra o avanço da escuridão.
Jaina, marcada pela sua luta e pela perda que testemunhou, tornou-se um símbolo de resiliência e determinação. Ela liderou os sobreviventes para terras além do mar, construindo um novo refúgio em Kalimdor, onde novos alicerces para a esperança começaram a ser estabelecidos. Ainda assim, o eco do que poderia ter sido evitado se espalhava como uma lição amarga, lembrando a todos de que, às vezes, os maiores perigos não vêm de fora, mas emergem de dentro, de onde menos se espera. Azeroth, mais uma vez, aprendeu que ogros e orcs não eram os únicos bárbaros a temer; a verdadeira luta era também contra os próprios demônios interiores que se recusavam a ouvir a sabedoria de seus guardiões.